SANGUE FALSO


O sangue falso ou artificial é um produto usado para dar credibilidade a maquiagens de efeitos que simulam cortes, tiros, feridas ou para cenas de operação, morte, horror. É um produto muito usado pelos maquiadores e, por curiosidade, resolvi traduzir para vocês este artigo canadense que resume a breve história do sangue artificial usado no cinema.
19161 – Intolerance : Love’s Struggle Throughout the Ages de D.W. Griffiths é um dos primeiros filmes com cenas gore. A fim de tornar reais as cenas de decaptação, evisceração e empalação, Griffiths experimentou diversas receitas e notou como era difícil imitar a hemoglobina. 
1934-  Início da aplicação do Motion Picture Production Code, também conhecido como  código Hays, que censurava de modo severo os films de Hollywood. Segundo este, cenas de assassínio não poderiam ser mostradas em detalhes e tudo que estivesse ligado ao horror, à brutalidade, à condenação e morte deveriam ser apresentados de modo ameno. Por causa disto, as inovações ligadas ao sangue artificial sofreram uma desaceleração. 
1957-  Os filmes começam a ser coloridos e os filmes de horror também seguiram esta nova moda. Em longas metragens como The Curse of Frankenstein e  Horror of Dracula, o sangue usado era vermelho muito claro e os produtores notaram que a veracidade ficou comprometida e a receita deveria ser mudada. 
Nos anos 60, Hitchcock lançou Psycho, com a famosa cena do chuveiro, que demorou 7 dias para ser rodada e custou 62.000 dólares. Para tornar o assassinato mais realista, o sangue até então usado no cinema foi descartado por ser extremamente líquido. O realizador desejava uma viscosidade perfeita e tentou ketchup além de outros produtos. Finalmente optou-se por utilizar a calda de chocolate Bosco. A equipe de Hitchcock também optou por criar os efeitos de manchas de sangue com uma garrafa de plástico amassada.

1963-  Enquanto trabalhava em  Blood Feast, Herschell Gordon Lewis, também conhecido como o  godfather do gênero gore, ao filmar em colorido, recusou  utilizar o sangue artificial usado em filmes preto e branco, pois este era muito violeta. Então entrou em contato com os laboratórios Barfred para que estes elaborassem um sangue ‘sob medida’.
1960-1970 Kensington Gore foi uma das primeiras marcas de sangue artificial. Comercializado pelo farmacêutico inglês John Tinegate, esta hemoglobina popularizou-se por sua grande qualidade e se declinava em 9 tipos de diferentes viscosidades e cores.
1972-  O maquiador Dick Smith (The Exorcist, Godfather, Taxi Driver) revolucionou a receita do sangue artificial aperfeiçoando-a com xarope de milho para a base, colorantes artificiais vermelho e amarelo, metil parabeno e Photo-Flo para uma boa consistência. Todavia este sangue causou problemas, pois parecia muito real para a  Motion Picture Association America que classificou como X o filme Taxi Driver, por causa do banho de sangue final . Scorsese então teve que modificar a cor do sangue para um tom mais sépia, a fim que o filme pudesse ser visto por todos.
1980 – A cena do elevador com sangue do filme cult The Shining demorou quase um ano para ser rodada. O realizador Stanley Kubrick, nunca se satisfez com o efeito do sangue na tela. Finalmente decidiram usar Kensington Gore que, infelizmente, também não ofereceu um resultado satisfatório pois seu aspecto era de água colorida de vermelho.
1980-1989 com os grandes sucessos de Halloween (1978) e 13th (1980), os anos 80 ficaram conhecidos como os  ‘gloriosos eighties’, e se tornaram um verdadeiro terreno de experimentações e invenções. Os maquiadores de efeitos especiais, dentre os quais Tom Savini, aperfeiçoaram os produtos e métodos e se aproximaram cada vez mais da realidade. O sangue artificial tornou-se mais escuro e espesso.
1992 – Peter Jackson bateu o record em matéria de quantidade usada de sangue artificial em um só filme, Braindead, o filme mais gore de todos os tempos. Somente na cena final, mais de 300 litros foram esparramados sobre os atores e as paredes. 
  Nos anos 2000 podemos contar dezenas de receitas de sangue artificial convincente, todas mais ou menos variações da receita de Dick Smith. Alguns destes sangues podem ser utilizados na região da boca e olhos, outros não. Diversos tipos de falsa hemoglobina podem ser utilizadas em um mesmo filme, dependendo da iluminação ou da proveniência do sangue (arterial ou venoso).
2003 – Alguns realizadores mudarão a receita, de acordo com o estilo que desejam dar ao filme, por exemplo, Tarantino encomendou 450 galões de ‘sangue de samurai’ para a cena de massacre ocorrida na casa noturna de Kil Bill vol 1.
Atualmente o sangue cinematográfico é feito de pixels, e denomina-se «CGI blood» usado, por exemplo em Blade (1998), 300 (2006) e Piranha 3D (2010). Extremamente criticado por seu aspecto artificial, este sangue é frequentemente utilizado para resolver problemas de logística ou reduzir custos de uma filmagem.
TRADUZIDO E ADAPTADO do artigo original de 

Anne-Marie Bouthillier
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As fotografias usadas neste post são meramente ilustrativas, não são de minha autoria, e foram garimpadas por mim no google.

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